Após a descoberta dos documentos do Mar Morto, na região de Khirbet Qumran, no Estado de Israel, confirmaram-se muitas afirmações de historiadores do inicio da era cristã.
Hoje, os escritores originais da comunidade Essência, contendo as suas leis, cânticos, hábitos e normas de vida, comprovam o que sempre foi posto em dúvida e mereceu pouco crédito por parte de cientistas e religiosos.
A partir do ano de 1974, e prosseguindo até os nossos dias, as pesquisas se desenvolvem e já é bastante grande a literatura que trata dessa rara e ocasional descoberta, ocorrida quando m jovem beduíno na captura de uma cabritinha que se havia descarregado do rebanho, penetrou em uma região, encontrando, ali vasos que continham informações sobre aquele povo.
Em nosso idioma há pouca disponibilidade de livros, entretanto, se buscarmos literatura estrangeira, ela existe em abundância.
Fácil, portanto, concluir que este pequeno informativo sobre os Essênios, dá apenas idéia geral sobre a vida dessa gente e procura despertar o interesse para que se conheça um pouco mais sobre ela.
A razão principal, porém, deste lançamento, é atender ás pessoas que nos visitam ou têm contato com o nosso agrupamento religioso e demonstram curiosidade em saber quem são, ou quem foram, os Essênios.
1 – QUANDO SURGIRAM OS ESSÊNIOS
Estamos na Palestina.
Na terra dos Profetas, entre o primeiro século antes do Cristo e o primeiro século após o Cristo, operam-se grandes movimentos religiosos.
Agrupamentos diversos nascem da massa popular.
Encontram-se ai os zelotes, sicários, galileus, nazarenos, batistas, levitas e outros
grupos que nasciam por força de suas aspirações religiosas.
Entre esses, um outro grupo do qual já se tinha referência muito antiga, desde o lendário Egito, floresce ás margens do Mar Morto, próximo de Jericó.
São os Essênios.
Entre os anos 150 a.C. e 70 d.C, aproximadamente, os Essênios foram bem identificados, uma vez que viviam isolados das demais comunidades, afastados da opulência de Jerusalém.
Preferiam o deserto da Judéia.
Ficaram poucos conhecidos, até o encontro dos documentos do QUNRAM, no Mar Morto, a partir de 1974.
As ruínas de cinco mosteiros no deserto da Judéia são o marco de sua existência em passado distante, além de outros mosteiros dispersos por diversas regiões na Samaria e Galiléia.
2 – NOTICIAS HISTÓRICAS
Alguns historiadores famosos falam sobre os Essênios.
Entre eles, destacam-se Filon de Alexandria:
Os Essênios são como santos que habitam e muitas aldeias e vilas da Palestina. Não se unem por clã familiar ou por raça, mas sim por meio de associações voluntários, formadas com intuito de melhor praticar a virtude e o amor entre as criaturas humanas.
Nas suas casas jamais se houve grito ou tumulto. Cada um, quando fala, cede a palavra ao outro. Este silêncio causa grande impressão ao visitante.
Sabem eles moderar a cólera e conservar o equilíbrio. Cumprem a palavra e sustentam a paz. O que dizem vale do que um juramento um sacrilégio, porque só precisa jurar quem é mentiroso.
Os que entram para a comunidade se comprometem a não prejudicar ninguém; ser fiel com todos, especialmente com os que tem poder, uma vez que ninguém ocupa cargos sem que seja pela vontade de Deus.
Vivem muitos anos alcançando facilmente os cem, possivelmente pela regularidade de vida.
Suportam a dor, fazendo-se fortes contra ela. Sabem que o corpo é perecível, mas que a alma é imortal, vivendo ela no éter, de onde é atraída para se ligar aos corpos como se estes fossem prisões. Separadas da carne, libertam-se e elevam-se.
Muitos conseguem prever o futuro e é raro que se enganem nas previsões.
Muitos não se casam, porque acreditam que matrimônio é impedimento à vida simples.
Outros, porém, afirmam que os que não se casam recusam a melhor parte da vida, que é a propagação da espécie.
A opinião do povo a respeito deles são pessoas irrepreensíveis e excelentes.
3 – ALIANÇA COM DEUS
Os Essênios não concordavam com os doutores das leis, que lideravam no templo de Salomão, quando ao sacrifício nas oferendas no altar da raça.
Preferiam os rituais do batismo e o respeito aos alimentos, que purificavam e comiam sempre em lugar especial.
Serviam o pão e o vinho, embora ocasionalmente comessem carne.
A cadeira principal deixavam sempre vazia.
Reservaram-se, à espera do Messias.
Eles eram pacíficos.
Seus bens eram postos em comum e exigiam unidade doutrinária.
Só falavam de uma espécie de guerra: a dos filhos da Luz contra os filhos das Trevas, ambos muitos fortes, empenhando-se em luta constante que se trava no interior de cada criatura.
Embora descendentes dos hebreus, desligaram-se das festas tradicionais do judaísmo, como a da Páscoa, dos tabernáculos e outras mais. Transformaram a sua vida em vivência litúrgica e não de detinham em inutilidades.
Viviam numa simplicidade muito rara entre as pessoas, em todas as épocas.
A idéia da Aliança com Deus é profunda e rica entre os Essênios, sendo, como realmente é, o centro de toda Bíblia, porém no seu aspecto mais rico, ou seja, a Aliança como expressão de amor.
4 – ORDENS E AFIRMAÇÕES
Podemos encontrar os Essênios em duas diferentes ordens: uma de vida monástica, junto ao Mar Morto, e outra dispersa por toda a Palestina, Ásia e Alexandria, formando grupos de dez filiados, cada um com um dirigente.
Os grupos próximos, têm alguma interdependência, chegando a somar cinqüenta ou cem.
No campo religioso, eles representaram o não conformismo típico que combina uma inquietude interior com disciplina quase fanática. São comparados aos primeiros cristãos.
O Rei da Prússia, escrevendo a Voltaire, afirma: “Jesus foi um Essênio”.
Gratz, em sua obra, afirma: “João Batista, era Essênio”.
Edmundo Wilson, jornalista do New York Times, em série de reportagens sobre os documentos encontrados em 1947, no Mar Morto, escreve: “O Convento, esse prédio de pedras, junto ás águas amargas do Mar Morto, com seu forno, tinteiros e piscinas sacras, túmulos, é, talvez, mais do que Belém e Nazaré, o berço do cristianismo”
5 - PRINCÍPIOS
Os Essênios ensinam a piedade, santidade, vida familiar e vida civil.
Ensinam a não jurar e não mentir.
Crêem que o homem é a causa de todo bem e de nenhum mal.
O amor da virtude compreende desprendimento da riqueza e estabilidade de tudo o que assegure bons costumes.
O amor aos homens exige benevolência, igualdade e concórdia
Ninguém possuí uma casa que não possa ser comum.
As vestes podem ser usadas por todos; o alimento para é igual.
Os doentes sem recursos não ficam sem cuidados. Eles têm, em comum, o que é necessário para tratá-los.
Respeitam os velhos e deles cuidam com suas próprias mãos, como filhos gratos, ainda mesmo quando não sejam seus próprios pais.
Habitam em aldeias, evitando as cidades pelas injustiças a que seus habitantes estão acostumados.
Alguns trabalham na terra e outros nas artes, tornando-se úteis a si e aos seus vizinhos.
Não se preocupam em ajuntar prata em ouro, nem grandes parcelas de terra para aumentar os seus ganhos, contendendo-se com o que lhes forneça o necessário para a vida.
Consideram grande abundância o Ter-se poucos desejos e fáceis de serem satisfeitos.
Não há entre eles fabricantes de armas de guerra.
Entre eles não há escravos; todos são livres; uns já ajudam os outros. Condenam a escravidão, não apenas porque destrói a igualdade, mas porque atenta contra o direito da natureza que, como boa mãe, faz os homens irmãos, não apenas de nome, mas na realidade.
Desprezam a lógica e as palavras complicadas como inutilidades para adquirir virtudes. Preocupam-se, no entanto, com a física e com a astronomia, quando estas ensinam a existência de Deus e a origem do Universo.
Tem grande cuidado com a moral, tomando como guia as leis dos antepassados.
Nos fins de semana estudam muito.
Um lê livros e o outro, entre os mais preparados, explica aquilo que não foi facilmente compreensível, dada à simbologia usada nos ensinamentos.
6 – ORGANIZAÇÃO
Os Essênios renovam no deserto de Judá, a experiência vital da antiga peregrinação israelita nas planícies do Sinai. Sua vida confirma o profeta Isaias(40.3): VOZ QUE CLAMA, NO DESERTO, PREPAREI O CAMINHO DE SENHOR.
Entre eles estaria João, o Batista.
Historiadores da época se referem aos Essênios:
Eles se parecem com monges, estão sempre vestidos de branco, com franjas azuis.
Suas ocupações são de índole prevalentemente espiritual, sempre com vistas à pureza pessoal.
e ao trabalho com Deus pelas comunidades.
Usam o Pentateuco (O Livro Sagrado) como base, o qual utilizam com muito respeito. Afastam-se do mal e unem-se no Torá (O Livro) e nos bens.
Obrigam-se, por compromisso solene, e avançar no conhecimento.
Eles são destaques aos Instrutores, mais exigem que estes sejam, igualmente, superiores nos costumes e nos exemplos. Que pratiquem a Justiça, a Verdade, o Direito, cultivando ânimo afável e modéstia.
Que se mantenham de espírito contrito, expiando as próprias faltas, pela prática da justiça.
O poder do Instrutor independente de preparação cultural. Assim, se não dor capaz de ensinar exemplificando, qualquer leigo poderá desempenhar as suas funções.
Relatos mediúnicos admitem que a titulação – Essênios – seria derivada de Essen, filho adotivo de Moisés, a quem o legislador entregou o seu acervo para “continuidade da tarefa.” Quanto ao fundador da comunidade, sabe-se apenas que era conhecido por “Mestre da Justiça”.
7 – O MESSIAS
Antes dos manuscritos do Mar Morto serem encontrados, dizia-se que todo povo judeu aguardava o Deus exclusivo da Palestina. Contudo, após as revelações dos manuscritos, soube-se que foi entre leis judeus Essênios que, pela primeira vez, se ouvira falar na vinda do Messias Universal, que será Rei, mas que todas as nações desfrutarão.
O cristianismo, nascido nesse período essênico, sofreu as influências dessa época. Está patente, portanto, que os Essênios foram ao que mais participaram na formação dessa doutrina, o que pode ser visto pela sua conduta e também pelas instruções que eram os que mais se assemelhavam àquelas ensinadas por Jesus.
Os Essênios se espalhavam, também, por toda parte, mesmo sem pertencer aos grupos definidos, afiliados apenas por costumes e religiosidade.
O tema central Essênio dói sempre a Aliança, vivendo com profundidade a gratidão. Sentem a manifestação de Deus, não somente a propósito deles, mas de todos os homens do mundo.
Poucos respeitam tanto a Aliança com Deus, como os homens destes grupos.
8 – ORIGEM DOS CRISTÃOS
Hempel, 1951, escreveu: Esclarecida a origem dos cristãos. O cristianismo é apenas Essênio. Essênio ou cristão, dá no mesmo.
Na terminologia, usos e costumes, característicos, notam-se grandes semelhanças entre cristãos e Essênios.
Eis algumas:
Jesus criticava os fariseus, igualmente como fazia João, o Batista, e os Essênios. A maneira de expressão de João, o Evangelista, André, Pedro, Natanael, era a forma comum entre os Essênios.
Os Essênios pregavam a mansidão e a humildade, para serem agradáveis a Deus
Foram essa, igualmente, lições e exemplos dados por Jesus.
Os Essênios ensinavam o amor ao próximo como a si mesmo. Jesus tratou o amor como fundamento entre as criaturas.
Os Essênios pregaram o “espírito da verdade” e a “vida eterna”. Foram estas também palavras de Jesus.
Os Essênios falaram de um fundamento que não seria abalado. Jesus chamou a Pedro de rocha que não seria abalada.
Os Essênios têm os hinos das “Bem Aventuranças”, a idéia central usada por Jesus no Sermão do Monte.
Os Essênios se definem como membros da Aliança, igualmente como se definiam os discípulos de Jesus. No Qumran, onde viviam os Essênios, o conselho era formado por doze membros, como doze foram os Apóstolos. A divisão do pão e do Vinho pelo Superior, à hora da refeição, nos lembra Jesus.
Punham seus bens em comum. Assim também ensinou Jesus quando desse ao jovem que o procurou: “Se queres ser perfeito, vai, vende todas as tuas coisas e segue-me.”
Jesus manteve o costume do batismo, prática normal entre os Essênios.
Ambos, Essênios e cristãos, respiram o mesmo clima de uma única matriz.
Toda história de Israel, sua evolução religiosa, é a base do Novo Testamento. São derivados do mesmo tronco.
Podemos afirmar, com toda segurança, que os Essênios prepararam o terreno para a sementeira e desenvolvimento do cristianismo. Assim, a gratidão dos cristãos é por terem eles facilitado o caminho.
Observa-se, agora, que os que quiseram ser os filhos da Luz, e viver como tal, se apagaram quando chegou Aquele que é a Luz Verdadeira, embora sem o terem, talvez, assim reconhecido. Porém, mesmo depois que Jesus inaugurou no Calvário a era de redenção, ainda por quarenta anos o vento carregou as orações dessa comunidade.
Invadidos um dia pelas Legiões Romanas, apressadamente os Essênios esconderam nas fendas e nas grutas da região montanhosa, os seus escritos. Foram eles, nessa invasão, mortos ou dispersos, para não mais voltar às suas comunidades de trabalho e oração, que agora, descoberta, põem nova luz na história das religiões.
Tinham, porem, já cumprindo a vocação, segundo Isaias: “No deserto, preparei os caminhos do Senhor’.
9 – RELATOS MEDIÚNICOS
Afirmam os Espíritos que atualmente, no plano imaterial, a comunidade Essência teria sua sede no Monte Nebo, sob o comando de Hilarion, tendo como atividade principal o estudo e divulgação do Evangelho, para testemunhos permanentes.
No Brasil, trabalhariam em conjunto com Ismael, a fim de sedimentaram na terra do Cruzeiro, após muito esforço, renúncias e sacrifícios, o coração do mundo, para ser Pátria do Evangelho.
O nome desta instituição, Centro Kardecista “Os Essênios”, é, portanto, modesta homenagem a esses nossos irmãos que nos antecederam na cronologia da história
Dos homens e a quem tanto devemos para prosseguir no estudo, entendimento e vivência das lições do Mestre Jesus, Este sim, o verdadeiro Caminho, Verdade e Vida.
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Por: Edgard Armond. (complemento)
Quando o Governador Planetário encarnou como Jesus de Nazaré, para sua imortal missão sacrificial outros Espíritos, devidamente qualificados, desceram também para auxiliá-lo e preparar-lhe os caminhos. Assim, os auxiliares, os discípulos, os apóstolos ...
Uma das mais marcantes dessas tarefas coube à Fraternidade dos Essênios, que o amparou desde jovem até os últimos instantes de sua tarefa redentora.
João Batista era essênio e, quando desceu para as margens do Alto Jordão, vindo do Mosteiro do Monte Hermon, na Fenícia, para dar cumprimento à sua tarefa de Precursor do Messias, fê-lo atendendo ordens que de há muito aguardava, esperando a sua vez.
Detentores, há séculos, das tradições de sabedoria herdadas dos antepassados, conservavam os essênios, em seus mosteiros nas montanhas palestinas, fenícias e árabes, arquivos preciosos e conhecimentos relacionados com o passado da humanidade; e assim como a Fraternidade dos Profetas Brancos, na legendária Atlântida, apoiou os Missionários Anfion e Antúlio, que ali encarnaram, e a Fraternidade Kobda apoiou os que difundiram as verdades espirituais no Egito e na Mesopotâmia, assim, eles, os Essênios, apoiaram a Jesus, na Palestina.
Conquanto menos numerosos, segundo parecia, seu número entretanto não era conhecido com exatidão e, se muito reduzida era sua influência nas rodas do Governo, muito profunda e ampla era a que exercia no seio do povo humilde, em toda Palestina, onde eram considerados sábios e santos, possuidores de altos poderes espirituais.
Viviam afastados do mundo, como anacoretas, em mosteiros e grutas nos alcantilados circunvizinhos, porque discordavam dos rumos que o clero judaico imprimira aos ensinamentos mosaicos dos quais eles, os essênios, eram os herdeiros diretos e possuíam arquivos autênticos e fiéis.
Segundo eles, as virtudes e a conduta reta dependiam da continência e do domínio das paixões inferiores. Abstinham-se do casamento e adotavam crianças órfãs como filhos. Viviam em comunidades, desprezando as riquezas, as posições e os bens do mundo. Exigiam a reversão dos bens pessoais à Ordem, por parte dos que desejavam ingressar nela.
Vestiam túnicas brancas ou escuras e quando viajavam não carregavam bagagem nem alforjes, roupas ou objetos de uso porque, por todos os lugares por onde andassem, encontrariam acolhimento por parte de membros da Ordem. Esta exigia que em todas as vilas e cidades houvesse um membro da Ordem denominado "O Hospitaleiro", que providenciava a hospedagem dos itinerantes, provendo-os do necessário. Havia cidades como por exemplo, Jericó, onde grande parte da população pobre e de classe média era filiada a essa Fraternidade.
Os essênios entregavam-se francamente e com a máxima dedicação à prática da caridade ao próximo, mantendo hospitais, abrigos, leprosários, etc., assistindo os necessitados em seus próprios lares, adotando crianças, como já dissemos, mantendo orfanatos, no que, pode-se dizer, agiam como precursores dos futuros cristãos dos primeiros tempos.
Na comunidade, trabalhavam ativamente em suas respectivas profissões e tinham pautas de trabalho a executar periodicamente, fora ou dentro das organizações da Ordem, em bem do próximo.
Não comiam carne, não tinham vícios e viviam sobriamente. Os que revelavam dificuldades psíquicas eram separados para o exercício do intercâmbio com o mundo espiritual e ao exercício da medicina, empreendendo estudos adequados e viajando diariamente por muitos lugares, sob a designação de terapeutas, em cuja qualidade consolavam os famintos, curavam os doentes, espalhando as luzes das verdades espirituais e as práticas do atendimento contra obsessores, como hoje em dia são popularizadas pelo Espiritismo.
Entre eles havia uma hierarquia altamente respeitada, baseada no saber, na idade e nas virtudes morais, cuja aquisição era obrigatória para todos os filiados à Ordem.
No primeiro ano da iniciação, os aprendizes eram proibidos de praticar suas regras na vida exterior, no lar ou na sociedade a que pertenciam; ao fim desse primeiro ano começavam a tomar parte em alguns atos coletivos, exceto as releições em comum, às quais só poderiam comparecer dois anos mais tarde, após darem garantias seguras sobre a pureza e a retidão de suas ações, seu Espírito de tolerância e sua castidade probatória. No ato da aceitação assumiam o compromisso de servir a Deus, observar a justiça entre os homens e jamais prejudicar o próximo sob qualquer pretexto; apoiar firmemente os que observavam as leis e de agir sempre com boa fé e bondade, sobretudo em relação aos dependentes e servos, "porque o poder"-- diziam eles -- "vem somente de Deus". Ao desempenharem qualquer cargo de autoridade, deviam exercê-lo sem arrogância e orgulho e jamais tentar distinguir-se dos outros pela ostentação de riqueza, ornamentos e vestuários; amar a verdade e jamais criticar ou acusar alguém, mesmo sob ameaça de morte.
Para julgar uma transgressão grave exigiam a reunião de, pelo menos, cem membros adultos, porque a condenação implicava na eliminação das fileiras da Ordem, à qual o faltoso só podia volver após duras e longas expiações e purificações físicas e morais.
Na hierarquia espiritual, após o nome de Deus, o de Moisés era o que merecia maior veneração.
No terreno filosófico ensinavam que o corpo orgânico era destrutível e a matéria transformável e perecível, enquanto as almas eram individuais, imortais e indestrutíveis, por serem parcelas infinitesimais do Deus Criador e uniam-se aos corpos como prisioneiras, por meio de uma substância fluídica, oriunda da vida universal, que constituía a vida do próprio ser (perispírito).
Após a morte, as almas piedosas habitariam esferas felizes, enquanto as ímpias eram relegadas a regiões infernais.
Como se vê, difundiam ensinamentos concordantes com a tradição espiritual que vinha de milênios e em muito pouco diferiam daquilo que se ensina hoje nas comunidades espiritualistas.
É sabido que João Batista era essênio, como essênio eram José de Arimatéia, Nicodemo, a família de Jesus e inúmeros outros que na vida do Mestre desempenharam papéis relevantes, como também o próprio Jesus que conviveu com essa seita, freqüentando assiduamente seus mosteiros, enterrados nas montanhas palestinas, onde sempre encontrava ambiente espiritualizado e puro, apto a lhe fornecer as energias de que carecia nos primeiros tempos da preparação para o desempenho de sua transcendente missão.
Mas observe-se que os evangelistas e os apóstolos em geral, como também Jesus, Ele mesmo que, freqüentemente, se referia a escribas e fariseus, todos guardaram silêncio a respeito dos essênios, não somente sobre fatos, episódios, circunstâncias quaisquer em que estivessem presentes, participando, mas nem mesmo sobre a existência deles; mas isso se explica porque, sabendo que a comunidade dos essênios merecia a hostilidade do clero judaico, que a considerava herética e rebelde, queriam evitar que sobre ela se desencadeassem maiores perseguições.
Após a morte no Calvário e no decorrer das primeiras décadas, além do trabalho dos apóstolos, foi em grande parte com base nos mosteiros essênios, nas suas organizações assistenciais e no concurso diário e ininterrupto dos Terapeutas, que o cristianismo se difundiu mais rapidamente na Palestina; e, enquanto cooperaram nessa difusão, a comunidade essênia foi se integrando no cristianismo, extinguindo gradativamente suas próprias atividades, o que se completou com o extermínio da nação judaica no ano 117 a.D.
Assim como haviam apoiado anteriormente os Nazarenos e os Ebionitas (Significa pobre, desvalido), a última atitude pública tomada pelos essênios teve lugar no ano 105, reconhecendo o profeta Elxai, como chefe. Depois, correndo o tempo, veio a elevação do suposto messias Bar Cocheba, a revolta geral contra os romanos e a exterminação do povo judaico em toda a Palestina e em outras províncias romanas.
Os documentos contendo suas tradições religiosas, elaboradas desde início, ainda ao tempo de Moisés, e conservados por seu discípulo Essen, ao declarar-se a revolta final do povo judeu, foram escondidos em grutas e lugares secretos das montanhas, alguns deles estando sendo agora descobertos nesses lugares, junto ao Mar Morto.

Maria Pacini,
ResponderExcluirPor gentileza é possível informar qual a bibliografia que vc usou para pesquisa e confecção deste texto?
Ficou muito bom.
Gostaria da bibliografia para aprofundar um pouco mais.
Grata!
Muito bom os essênios todos vindo de capela não é isso se souber os fenícios eram também de capela que reecararam em Portugal e depois ajudaram ismaeI no Brasil não é isso também
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