quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Quem é Samael Aun Weor.


Samael Aun Weor é um autêntico Filho da Luz, como provam seus mais de 60 livros e mais de 250 conferências proferidas.
Como acontece com todo autêntico Iniciado da Grande Fraternidade Branca, que se reencarna não para satisfazer suas paixões, desejos ou apetites profanos, ou para repetir mecanicamente as situações de vidas passadas, mas para cumprir uma missão designada pela Divindade, assim nasceu, no início do século passado, um grande Mestre da Luz.
O bodhisatva (encarnação de um autêntico Mestre) de Samael Aun Weor nasceu no dia 6 de março de 1917 na cidade de Bogotá, capital da Colômbia, e seu nome profano foi Victor Manuel Gómez Rodríguez. Como acontece em seres especiais, um grande terremoto sacudiu essa cidade nos instantes em que nascia.
Como tomava corpo físico um verdadeiro Homem que em outras existências fabricara seus corpos solares astral, mental e causal, também obviamente dentro dele se manifestavam trabalhos de conhecimentos de Consciência Objetiva.
Que em outras existências realizara e desde muito pequeno tinha muito clara a Missão que cumpriria para com a humanidade e sabia que teria de repassar as Iniciações para poder coroar-se como um Homem Causal, sua verdadeira imortalidade.
Seu desenvolvimento durante a infância foi um tanto especial, já que desde muito pequeno praticava a meditação, dirigindo sempre sua atenção em direção ao Astro-Rei. Repetia incessantemente: “Outra vez me encontro em um novo corpo físico e também sei que vim cumprir uma Grande Missão”.
Em seu livro As Três Montanhas, que é praticamente sua biografia esotérica e uma espécie de “mapa do Caminho Esotérico rumo ao Ser Divino”, o Mestre Samael comenta sobre sua infância: “Não está demais asseverar solenemente que eu nasci com enormes inquietudes espirituais. Negá-lo seria um absurdo… Ainda que para muitos pareça algo insólito e incrível, o fato concreto de que haja no mundo alguém que possa recordar de forma íntegra a totalidade de suas existência, incluindo até mesmo o próprio acontecimento de seu nascimento, quero asseverar que eu sou um desses”.
Assim transcorrem os anos de sua infância e passa a etapa da adolescência, desenvolvendo sua vida de forma muito natural, porém, dentro dele se manifestavam anelos profundos de encontrar consigo mesmo. Isso faz com que à idade dos 12 anos o Mestre Samael empreenda o trabalho minucioso de estudar em dezenas de escolas e obras, tais como a metafísica e o espiritismo. Nessas escolas, ele anelava encontrar o Caminho Secreto, mas ali não o encontrou.
Apesar da pouca idade, nunca abandonou a meditação. Isso era um grande bálsamo para sua Alma de grande Buscador da Verdade. Enquanto isso, seguia procurando seu Caminho filosófico, praticando os conhecimentos de Raja Yoga e Karma Yoga.
Decepcionado por ainda não encontrar a verdade, ingressou na escola da Rosa-Cruz Antiqua, bebendo a sabedoria de grandes mestres, tais como Gurdjieff, Ouspensky, Krumm-Heller, Max Heindel, Eliphas Levi, Rudolf Steiner, Jorge Adoum, Blavatsky e outros mais, e é dentro dessa benemérita instituição que Samael conhece o verdadeiro início de sua descoberta da Luz, pois desenvolve totalmente seus chakras astrais com as práticas ali ensinadas.
Mas sabia perfeitamente que deveria se aprofundar na sua busca do Caminho que o conduziria aos Mistérios Iniciáticos do Super-Homem; e, ao fim, descobre em sua vivência íntima, particular, o caminho secreto da meditação profunda.
Com firme e terrível propósito, começa a percorrer o caminho místico transcendental por meio de grandes sacrifícios e sofrimentos intencionais. Sua meta única foi trabalhar seriamente na aniquilação do Ego, na Castidade e no sacrifício pela humanidade.
Quando contava com 30 anos, o Mestre Samael realiza seu juramento mais solene: o de despertar a Kundalini, custe o que custar… Assim, auxiliado por sua esposa e companheira de toda a vida, Arnolda Garro de Gómez (VM Litelantes), percorre o Caminho da ascensão das 7 serpentes sagradas do Fogo e das 7 serpentes divinas da Luz.
Todo esse grande trabalho era fundamentado na Magia Sexual, na Alquimia Tântrica e a ascensão da Kundalini, de vértebra em vértebra, lentamente e de acordo com os méritos do coração, tendo sempre presente a santidade e o sacrifício…
Passando por essas Iniciações sagradas, o Mestre chega a um ponto de sua vida interior que é verdadeiramente um fato cósmico para todos os Irmãos Gnósticos: No dia 27 de outubro de 1954, realiza-se o advento do Logos Samael dentro da alma do bodhisatva (a manifestação humana de um Mestre) Aun Weor. Isso se dá no Summum Supremum Sanctuarium (SSS) que se localizava na Colômbia. (Ah, sim. Este templo sagrado desapareceu por completo, encontra-se agora na 4ª Dimensão.)
Vários Irmãos do Templo reuniram-se para este grande acontecimento cósmico. Entre os mestres, encontravam-se os mais destacados paladinos gnósticos, tais como os mestres: Litelantes, Kéfren, Jonas, Tarom-Om, Pavoni, Sanfragárata e Sum-Sum-Dum.
O Mestre Samael entrou no Templo, deitou-se, com os braços abertos, sobre uma pesada cruz de madeira, e permaneceu assim por 3 longos dias. Os vários mestres ali presentes realizaram uma longuíssima cadeia, ficando o Mestre Samael como que morto. Suas funções vitais ficaram em total suspensão.
A Mestra Litelantes, em uma visão mística, descreve como a montanha da Sierra Nevada se ilumina, com a chegada do Quinto Anjo do Apocalipse. Ele, o Cristo Cósmico de Marte, desce dos Mundos Superiores em uma bela carruagem e penetra no corpo do Mestre.
Logo depois, o corpo do Mestre “voltou à vida”, ou seja, ele recobrou seus sentidos físicos, e foi se movendo lentamente. E ele, após abrir os olhos, pergunta: “Onde me encontro? Me sinto duplo”.
A partir desse instante, o advento de nosso Redentor realizaria sua marcha triunfal como o Quinto Arcanjo do Apocalipse, o Avatar de Aquárius. Essa data memorável é celebrada hoje e sempre em todos os Lumisiais gnósticos do mundo todo. Leiamos importante comentário de um dos mais fiéis discípulos do Mestre Samael, o senhor Celestino Lópes Lindo, sobre o advento do Cristo Samael: “O evento mais extraordinário que ocorreria na Sierra foi o advento do Mestre Samael.
Os fenômenos que se apresentaram foram: dias longos e noites curtas, tormentas elétricas, as trevas que rodearam a Sierra Nevada eram quase intransponíveis.
O Mestre Aun Weor, às 19 horas do dia 27 de outubro de 1954, tomou a decisão de entrar rapidamente no Templo de Mistérios Maiores. Foi estranho para os demais que ele não carregasse em suas mãos nenhum artefato que lhe permitisse iluminar o caminho, já que os mesmos colonos, apesar de conhecer o caminho, necessitavam de luz. Encontrando-se dentro do recinto sagrado e depois dos rituais de rigor, Aun Weor caía em estado cataléptico em cima de uma tosca e grande cruz.
Sua cabeça se encontrava apoiada em uma almofada, a qual, depois de passado certo tempo, incendiou-se. Ele nem sequer se queimou porque se encontrava recebendo seu Real Ser. A Sierra Nevada de Santa Marta e os gnósticos que o acompanharam em seu advento nunca esquecerão o divino silêncio que foi sentido naquela noite cósmica de 27 de outubro.
Depois do advento de Samael, pouco mudou, porque o Íntimo que havia recebido no Advento era como uma criança pequenininha e débil, oqual à medida que ia aniquilando o Ego, ia se desenvolvendo para exercitar-se no falar e no dar o ensinamento aos povos.”
Não somente como mestre e Guia da nação gnóstica, mas também como cidadão do mundo e pai de família, Samael soube observar um perfeito equilíbrio entre o material e o espiritual. Era pai e esposo exemplar, jamais se esquecia de suas obrigações tanto esotéricas como sociais. Jamais foi visto esquecer-se de si mesmo, sempre atento a sua forma de expressão, suas vestes, seus gestos, e também sua forma de rir, de caminhar, de atuar etc.
Enfim, sua vida servia de exemplo de compaixão, responsabilidade, companheirismo, sabedoria e amor ilimitados.
Para todos o Mestre mostrava uma Gnosis simples, fundamental, sem poses, sem auto-indulgências nem pantomimas repulsivas. Ou seja, todos tinham a pessoa do Mestre Samael como exemplo de amor, simplicidade e naturalidade. Um Mestre assim cheio de amor mostrou o sendeiro da revolução da consciência.
Os Poderes Jinas de Samael
Os que estavam próximos de Samael, ou seja, parentes, amigos e discípulos, vivenciavam experiências inusitadas e misteriosas, típicas de um verdadeiro mestre nagual. Uma das tantas experiências vividas por um das filhas do Mestre foi ver Samael diminuir seu corpo físico e chegar a ter cerca de 50 centímetros de altura.
Essa mesma filha do mestre também a oportunidade de vê-lo imobilizar um deficiente mental furioso que tentava atacá-lo. De imediato, tomou a estatura de um gigante, suas mãos e pernas eram fortes e duras como o aço. Cada passo que dava, o piso da casa onde estavam tremia.
De pronto, o gigante Samael imobilizou o deficiente mental com muita força e poder, sem perder seu amor e ternura para com todos os pobres seres humanos. Para mais informações, queiram os queridos leitores estudar os casos narrados neste mesmo link.
Esta mensagem nos faz refletir sobre a necessidade de voltarmos à nossa autêntica Realidade. O Mestre Samael jamais foi visto sendo ríspido, grosseiro, ou utilizar seu Verbo para amedrontar seus discípulos. Samael era verdadeiramente um Homem impregnado de simplicidade e de amor porque sua mente estava livre, porque ele vivia de momento em momento, de instante em instante, transformando suas impressões da vida em compreensão profunda real, levando-o sempre a uma sabedoria que se manifestava em todo o seu Ser
O Mestre Samael dedicou toda a sua vida a dissolver seu Ego, ou seja, seus defeitos, bloqueios e limitações psicológicas, até atingir a perfeição total, ou, estado integral de Homem Causal.
O trabalho de Samael
Esse estado de perfeição psicológica e mágica levou Samael Aun Weor a iniciar o maior empreendimento espiritual de todos os tempos conhecidos, que é o de salvar um planeta inteiro, e toda a sua humanidade!
Como isso deveria ser realizado? Como indicar um Caminho que pudesse levar as mulheres e os homens de boa vontade a se livrarem desse estado de coisas degradante em que nosso mundo está metido? Para resolver essa questão cósmica tão complexa, tão grave, a Santa Fraternidade Branca, tendo encarregado o VM Samael de executar essa estratégia, exigiu que a nação gnóstica formasse o Exército de Salvação Mundial.
Esse Exército da Forças Cósmicas está divulgando os princípios gnósticos do Autoconhecimento e da Iluminação Espiritual, perdidos pela quase totalidade dos seres humanos.
Esses princípios gnósticos, didaticamente chamados de “Três Fatores de Revolução da Consciência”, eram antigamente entregues somente para poucos, para aqueles que dedicassem toda a sua vida a esse Caminho Iniciático.
O Mestre Samael, com ordens da Santa Loja Branca, entregou para toda a humanidade, indistintamente, com todo o amor de um verdadeiro Filho da Luz, essas Chaves da Redenção humana, como praticamente uma última oportunidade para se criar “sementes” para uma nova civilização, num futuro não muito distante, para que a Evolução planetária terrestre não fracasse totalmente e siga adiante, conforme as ordens do Logos Solar.
Se esse Trabalho é hercúleo, titânico, quase impossível, seu Executor deveria ter a Força, o Poder, a Inteligência, a Abnegação e o Desprendimento suficientes para tal empreitada. Por isso, para conhecer melhor esse personagem que será popularizado neste Terceiro Milênio, estude os textos de nosso site concernentes às suas vidas passadas, a seus ensinamentos de Sabedoria, aos eventos paranormais envolvendo sua pessoa e a de seus discípulos.

Boa leitura e ótimas reflexões!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O que é Xamanismo.


 A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO
Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio.
O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.
A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais. Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.
As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.
Religião da Idade da Pedra
Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.
Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.



 Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado, Shamanism:The Beginnings Of The Art.


A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.
O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.
Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.
Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo.
No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.
Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças.
O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.
A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.
O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático.
Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.
O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.
O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas.
No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :
A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática
A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo
Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual.
O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza.
Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo
Interação com espíritos da natureza
Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe /estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc)
Conhecimento sobre o fogo
Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas)
Canções de Poder
Danças
Respiratórios e dietas
Contação de histórias, preleições.
O Xamanismo como a mais antiga prática espiritual da humanidade tem como base em suas práticas o respeito pela ecologia, reconhecimento do Sagrado, necessidade de expandir a consciência e obter resposta em mundos paralelos, prática do amor incondicional . Suas práticas estabelecem contato com outros planos de consciência a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde. Propicia tranqüilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual.
A interação harmônica dos elementos equilibra a Jornada da Nossa Alma, faz girar a Roda da Vida em harmonia. No xamanismo praticado na atualidade estudamos os talentos elementais:
A Terra é relacionada com o corpo físico e com as sensações.
A Água é relacionada com a alma e com as emoções e sentimentos.
O ar é relacionado com a mente e aos pensamentos e idéias.
O fogo é relacionado com o espírito e associado à consciência, a claridade, a inspirarão.
O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão de que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante e provém do desenvolvimento de seus próprios dons. Inspirados na sabedoria dos povos ancestrais temos o desafio de resgatar o conhecimento acumulado nas práticas xamânicas das diversas tradições do planeta para os dias atuais. Assim, pretendemos contribuir para a saúde, autoconhecimento e o bem-estar geral do nosso povo e resgatar valores para uma vida mais harmônica e ecológicamente correta.
Os ancestrais xamânicos viviam em harmonia e equilíbrio com todos os seres, pedras, plantas, animais, pássaros, peixes e até insetos.Para garantir sua sobrevivência em ambiente hostil os homens primitivos interpretavam os sinais e as mudanças da natureza a seu redor. Viviam de acordo com os ciclos do Sol e da Lua, das mudanças das estações, manifestações da natureza, vento, chuva, etc.
Os caminhos do xamanismo são espirituais. A prática xamânica compreende a capacidade de entrar e sair de estados de consciência, de realidades não-ordinárias Os estados alterados de consciência não envolvem apenas o transe e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar espíritos animais, plantas, mentores, obter insights, promover curas, oráculos.
Os estados alterados de consciência incluem vários graus. Stanley Kryppner chega a classificar vinte estados diferentes de consciência. Elíade fala do êxtase, Castañeda fala do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supraconsciência, etc.,também são nomes para a mesma manifestação.
São através desses estados que conseguimos conexão com nossos mitos, símbolos, nossa verdade interior. Conseguimos expandir a percepção para mistérios que estão guardados em nós mesmos. Aprendemos a sentir, ver e ouvir a energia.Nos religamos com o Sagrado e com a fonte criativa de tudo o que nos acontece. Através da consciência ordinária não conseguimos alcançar níveis profundos do nosso ser. Existem diversas técnicas ou rituais para se chegar a estados mais profundos de consciência, dentre elas: tambores, danças, jejuns, plantas de poder (enteógenos), respirações, posturas corporais, e outros.
Através desses estados especiais alcança-se uma experiência divina, acessa-se uma fonte de Sabedoria Superior, podemos curar nosso corpo, nos conhecemos melhor através das visões, expandimos a nossa consciência.
Aprende-se as influências e forças da Terra e como as energias naturais afetam a vida. Tudo na natureza cresce e muda. É um ciclo. Os povos antigos consideravam a viagem circular da Terra ao redor do Sol, uma roda, representando o eterno ciclo de nascimento e desabrochar, crescimento e florescimento, maturidade e frutificação, envelhecimento e decadência, morte e decomposição e novamente renascimento, refletido na vida humana e na natureza.
Os nativos reconhecem o círculo como o principal símbolo para o entendimento dos mistérios da vida. Observaram que ele estava impresso em toda a natureza. O homem olha o mundo através dos olhos que é um círculo. A Terra, a Lua, o Sol, os planetas; são todos circulares. O nascer e o por do Sol acompanham um movimento circular. As estações formam um círculo. Os pássaros constroem ninhos em círculos, animais marcam seus territórios em círculos. As cabanas, ocas, tipis são circulares.
O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta. O resgate dos festivais sazonais (Solstícios e Equinócios), por exemplo, não marcam apenas a jornada do Sol, mas também os pontos críticos das estações, o ciclo agrícola, nossas emoções, hábitos. Essas "Forças Verdadeira acessadas desde o princípio na história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podemos sentí-las atuando em todos os momentos das cerimônias.
Podemos sentir a ligação profunda que a natureza tem com a vida, nos tornarmos parte de uma comunidade global, propomos o Vôo da Consciência em busca de novos horizontes, de novas conquistas, de um novo ser, de uma nova vida. O início de uma vida pautada na sabedoria encontrada nas folhas, nos movimentos dos ventos, no poder transformador do fogo, nos espíritos ancestrais, na jornada da alma, na missão.
As religiões do mundo moderno não têm tempo para a ecologia espiritual assim como a cultura e o modelo de pensamento consumista atuante. As Grandes Religiões inspiram e apontam para uma vida eterna fora deste planeta e pouco se preocupam em honrar as realidades do espaço sagrado em que vivemos. Atualmente muitos vivem com uma sensação de separação, isolamento, um sentimento de que deva existir um sentido maior na vida. Os rituais xamânicos podem trazer a consciência de somos apenas um "microcosmo", que somos parte de "algo maior", que somos filhos da Terra, parte de uma Terra Viva.

Harmonia - Amor - Paz e Luz

domingo, 4 de agosto de 2013

Harvey Spencer Lewis e a Ordem Rosa Cruz.


Harvey Spencer Lewis nasceu em Frenchtown, estado de New Jersey, Estados Unidos. Filho de Aaron Lewis, descendente de gauleses e Catherine Hoffmann, nascida na Alemanha. Viveu nos arredores da granja de sua família até que o seu pai, decidiu emigrar para a cidade grande em busca de melhores perspectivas para a sua vida. Aaron Lewis interessou-se muito por caligrafia, chegando a desenvolver uma bela letra, graças, sobretudo, ao método de escritura Spencer, em cuja honra deu o segundo nome ao seu filho Harvey. Aaron Lewis mudou-se para New York em busca de melhores horizonte quando seu filho Harvey ainda era um menino, tornando-se sócio de um escritório de peritos em caligrafia, onde chegou a desenvolver trabalhos muito interessantes relacionados a identificação de escrituras falsificadas, etc., chegando a atuar perante os tribunais em vários casos importantes.

Primeiros anos
Harvey estudou na Escola Pública de New York até 1899, mas deixou os estudos aos quinze anos de idade quando começou a trabalhar. Entre outros trabalhos atuou como ajudante de um escritório de editores, fotógrafo profissional, também como jornalista no Evenig Herald e no Eagle, para posteriormente, após perder seu emprego, dedicar-se à publicidade.
Lewis pertencia a um a família muito religiosa e quando veio a New York com seus pais, tornou-se membro da Igreja Metodista, frequentando o Templo Metropolitano da Sétima Avenida. Lewis diz que desde jovem interessou-se pelos fenômenos psíquicos e que tinha aquilo que os membros da igreja chamavam de "dons proféticos". Aos 20 anos uniu-se a uma associação denominada "Liga de investigações psíquicas de New York" na qual foi eleito Presidente.
Faz-se referência a esta experiência no livro "Missão Cósmica Cumprida":
"Durante anos fui presidente desta associação e no ano seguinte vários cientistas e leigos eminentes organizaram o Instituto Novaiorquino de Pesquisas Psíquicas. Fui eleito presidente deste e seu trabalho se desenvolveu da mesma forma com que atuava a Liga, só que era um trabalho mais profundo, envolvendo maior análise e investigação, pois teve muito a ver com o desmascaramento e neutralização do trabalho de médiuns fraudulentos e criminosos, trabalho este que se efetuou com a colaboração do Departamento de Polícia de Nova York e com o New York Word (Jornal)."
Foi nesta época que, segundo declarações de Lewis, ele se interessou a primeira vez pelos Rosacruzes, entrando em contato com pessoas que tinham ouvido falar deles e inclusive, diziam ter se relacionado com eles, o que não era incomum em um país como os Estados Unidos, onde a maçonaria e muitas outras associações fraternais sempre tiveram acolhida. Também conforme declarações de Lewis, além de ter colocado em prática seus dotes psíquicos e proféticos em suas associações, continuou frequentando a Igreja Metodista onde, segundo seu próprio relato, em 1908, teve uma revelação.

O Recebimento de uma Missão
Foi na primavera de 1908, numa quinta-feira, depois do "Serviço de Ressurreição" que, enquanto orava na igreja e olhava para a cruz que havia atrás do altar, apareceu-lhe um 'ser divino', meio transparente e luminoso, que lhe revelou sua missão que lhe parecia por demais fantástica: Restaurar na América a Ordem dos Rosacruzes. Ele relata este episódio nos seguintes termos:
"Toda a imagem era como se fosse de neblina e clara como um vapor branco e espesso. Dos lábios deste vulto brotaram palavras e vi o movimento dos lábios e o piscar dos olhos. Não irei relatar o que disse, por não recordar exatamente as palavras. Gostaria de fazê-lo, porque foram pronunciadas de forma amável e numa linguagem tão divina e bela como as frases mais maravilhosas da Biblia Sagrada. Tive a impressão que vinham até minha pessoa procedentes de uma Mente Infinita, Santa e escutei com sentimento de respeito e agradecimento, porém, não me encontrava perplexo ou atemorizado. Em resumo, o que me disse foi o seguinte: se eu quisesse saber mais sobre os Rosacruzes e seus ensinamentos, teria que me preparar para um a iniciação na fraternidade, que possuia um corpo exotérico imortal; que por vários anos eu tinha sido um habitante do umbral e de seu templo imaterial, mas que não havia sido suficientemente resoluto para cruzar o umbral e que, portanto, não havia avançado para além do que a minha própria vontade tinha determinado; que não falaria nada sobre a fraternidade, em nenhum livro ou documento, porque seus segredos nunca tinham sido publicados, nem nunca iriam sê-lo; que eu iria achar minha iluminação em meu eu interior e não fora; que quem me falava era um AMORCUS da antiga fraternidade e que tinha sido eleito para ser o meu guia, até que eu estivesse preparado para cruzar o umbral e continuar sozinho; que o corpo exotérico da fraternidade já não existia e que não havia existido durante os últimos 101 anos; que cada corpo exotérico existia somente durante 108 anos e que somente em 1915 este corpo exotérico teria existência novamente e que seria, então, o único corpo exotérico sobre a face ocidental da terra; e que enquanto eu estivesse me preparando para a minha iniciação ali, o corpo exotérico seria concebido e amadurecido para o seu advento no mundo material; que eu deveria dedicar todas as noites de quinta–feira para encontrar orientação;que o próximo corpo exotérico estaria na França, ou qualquer coisa do gênero".
Iniciação em Toulouse
ToulouseEm outro relato, ao qual intitula "Viagem de um peregrino para o Este", em 1909, o jovem Lewis tinha estabelecido contato com o editor de um jornal de Paris, o qual o aconselhou a colocar-se em contato com um professor de línguas, que vivia no Boulevard Saint Germain, em Paris. Lewis, depois de entrevistar-se em Paris com o seu contato, que lhe entregou uma gravura com a imagem da Torre do Donjon de Toulouse. Ele viaja à Montpellier e em seguida, à Toulouse. Spencer relata:
"Cheguei na avenida indicada ... ia de táxi. Naquela época, havia em Toulouse um excelente serviço de bondes, porém, nenhum deles percorria a avenida de um extremo a outro. Por isso era necessário ir de automóvel. O condutor, a meu pedido, conduzia o veículo lentamente, pois eu ignorava se era a algo ou a alguém a quem eu deveria prestar atenção. Portanto, observei com o maior cuidado, as pessoas e as coisas, sem ignorar nenhum prédio. Rodamos, assim, por todo o centro da cidade e observei, de relance, igrejas, monumentos antigos, algumas ruínas .... e, finalmente, A VELHA TORRE ... Eu avançava em direção à velha torre, o coração um pouco apertado, mas não sem coragem. Chamei junto à porta, mas não obtive resposta. Então eu vi, perto do muro, um cordão e puxei-o. Em algum lugar, nas profundezas do prédio, ressoou uma campainha, prédio este que parecia ter centenas de anos e certamente era o caso ...
Rangendo, finalmente a porta se abriu ligeiramente. Esperei. Estava muito escuro no interior e parecia que naquele lugar não havia nenhum sinal de vida. Decidi-me a empurrar a porta e entrar. Encontrei-me diante de uma velha escadaria, que parecia bem conservada. Empurrei a pesada porta e escutei o "clic" do fechamento. Estava preso na velha torre e não experimentei nenhum temor. "Pareceu-me que algo, em cima, tinha se movido. O menor ruído, naquele prédio silencioso, adquiria proporções enormes. Um grande vão dava acesso ao primeiro andar. Logo a escada tornava-se em caracol e cada andar dava saída na galeria ao redor da escada. As galerias eram muito escuras e estreitas.
Olhei para cima, através do vão e para manifestar minha presença, emiti um "alô!" sem ter a certeza que tal saudação era a mais adequada naqueles locais. Em seguida, vindo de um andar superior, ouvi claramente: "Entre, entre!" . Subi imediatamente
" ... Finalmente cheguei ao andar superior e vi que este consistia de um recinto de forma quadrangular, com diversas janelas pequenas. As paredes estavam cheias de estantes com livros, aparentemente muito velhos. Havia duas mesas no recinto, de aspecto comum e muito gastas e uma vintena de velhas sillas, as quais, em troca, despertavam maior interesse por seu estilo antigo e uma escrivaninha velha coberta de manuscritos e de utensílios necessários para selar documentos. Havia também uma vela, cera, fósforos, alguns produtos químicos, uma caneta tinteiro, tinta e alguns mapas astrológicos.
O homem que me recebeu era um ancião. Tinha uma barba cinzenta e uma vasta cabeleira levemente eriçada, de um branco puro, que lhe caíam sobre os ombros. Mantinha-se ereto e sua estatura elevada, seus ombros largos e sua distinção eram imponentes. Seus olhos castanhos surpreendiam pelo seu brilho. Falava com uma voz suave e seus gestos eram rápidos. Vestia uma túnica bordada com alguns símbolos que me eram desconhecidos, porém, que não são desconhecidos por aqueles que são membros da Rosacruz AMORC.
Me dirigi a ele em inglês: "Eu me apresento sem ter sido convidado, senhor e se o faço, é porquê, em primeiro lugar, sinto que este prédio é de grande interesse para mim e em segundo lugar, porque o senhor me disse para entrar. Estou em busca de uma informação difícil de obter e talvez o senhor possa me ajudar em minha investigação, tanto que, pelo que vejo, o senhor parece estar interessado em astrologia", eu lhe disse, apontando para os mapas que se achavam sobre a escrivaninha.
Respondeu-me em um excelente inglês, porém, com pronunciado sotaque francês: "Você não é nenhum intruso, meu amigo. Você conhece a astrologia e sabe, portanto, o que são "direcionamentos". Digamos, pois, que você tenha sido "direcionado" até aqui. Tenho aqui, sobre minha escrivaninha, sua tema natal (certidão de nascimento??) Eu o estava aguardando". "Tenho também uma carta preparada para você. Ela te será útil. Sei da investigação que você está empreendendo e esta carta é a resposta à sua pergunta. Porém, sente-se. Tenho muitas coisas para te ensinar e explicar".
"Tens buscado a Ordem Rosacruz de forma séria e quer ser membro dela. Talvez seu desejo possa ser realizado, mas, e depois? Irá participar da grande obra? Aceitará perpetuar a ordem em seu país? Te serão necessários coragem, bravura e decisão".
Depois de ter-lhe dito que o tinha observado desde sua chegada à Paris e durante toda a sua estada no Sudoeste e que as informações relativas a ele eram altamente favoráveis o sábio mostrou a Spencer Lewis alguns documentos autênticos de interêsse apaixonante referentes a Tradição Rosacruz.
" .. Antes de deixar esta torre, à qual você não mais terá oportunidade de voltar, vou mostrar-te nossos arquivos. Sou o "Grande Secretário". É aqui que conservamos os arquivos de nossos fratres e sorores (irmãos e irmãs) desde que a Ordem se estabeleceu neste país. Nunca se extraviou nada, nem o relato mais insignificante em sua aparência. É aqui que irão ser classificadas suas cartas, suas informações e sua correspondência concernente ao seu trabalho. O olho vê tudo, o pensamento onisciente recebe e tudo ocupa lugar em nossos arquivos ...
Em seu relato, Lewis diz que além de livros, documentos, etc. "... Vi relíquias raras vindas de Jerusalém e de outras cidades e países. Por último, vi o juramento feito por Lafayette à Ordem, antes de sua partida para a América. Lafayette, primeiro rosacruz francês vindo ao meu país. Que o seu nome seja sempre sagrado para a Ordem na América. Em seguida, conforme o relato, o ancião diz a Lewis que esteja preparado para participar de uma cerimonia impressionante, que terá lugar em breve.
Alguns dias mais tarde, chega um automóvel.
"O automóvel" – continua Lewis em seu relato – "cruzou o par de quilômetros que nos separavam dos limites da cidade e logo tomou rumo via uma estrada paralela a um riacho, até a antiga cidade de Tolosa. Tolosa foi a primeira cidade romana da região e hoje está em ruínas. O percurso que fizemos é muito interessante. Finalmente, chegamos a uma grande mansão, rodeada por altos muros e o automóvel atravessou o portal de entrada. Os magníficos canteiros de flores e o césped bem cuidado da chácara saltaram à minha vista. À esquerda da chácara, um castelo parecia flutuar no cimo de uma colina verdejante. Mais além do portal, vi algumas velhas casas, uma delas quadrangular e que era particularmente atraente. O automóvel parou nas proximidades dela e na entrada, fomos recebidos por um jovem de uniforme que, pelo seu corte, parecia ser militar. Parecia conhecer o condutor e estendeu-lhe calorosamente a mão. Em seguida voltou-se para mim e, por intermédio de gestos, deu a entender que deveria entregar-lhe uma carta ou bilhete. Entreguei-lhe a carta que o grande secretário me tinha confiado. O jovem, depois de tê-la lido, saudou-me cordialmente e fez com que eu entrasse em uma grande sala de espera.
"A casa era muito antiga. Era inteiramente construída de pedra, sendo que estas estavam visívelmente gastas, até o ponto de se perguntar como o prédio ainda estava em pé. Ao término de alguns minutos fui apresentado a uma mulher de idade, a qual, inclinando-se, me ofereceu sua mão e me acompanhou ao andar superior, do qual fui conduzido, com a mesma cerimonia, para um recinto menor. Ali me entregaram alguns papéis que continham as instruções reservadas a mim" .
"Desta forma, fui informado que encontraria os oficiais da Grande loja ao cair do sol, isto é, três horas mais tarde e que, por enquanto, deveria estudar atento às instruções que me foram entregues e, também, descansar um pouco. Naturalmente, não posso publicar aquelas instruções ... " Li e reli as instruções e depois me acomodei. Li as instruções uma vez mais e adormeci sobre o antigo sofá, naquela sala de paredes de pedra, nesse misterioso prédio o qual, naquela época, era o grande templo da Ordem na França.
"... Nesta mesma noite fui iniciado na ordem da Rosacruz. Minha "travessia através do umbral" aconteceu naquele recinto memorável. Tomei compromissos solenes, recebi a grande benção e converti-me em um "frater" da Ordem no instante em que soava a meia-noite na torre desta residência secreta.
"Tinha encontrado a luz. A Rosacruz me tinha aceito e minha alma se estremeceu ao sentir o sopro da iluminação ...
Alguns dias depois, em Toulouse – conclui Sspencer Lewis – "... assisti a convocação mensal dos Iluminatti em outro prédio antigo, situado nas proximidades de Garona. O prédio tinha sido construído com pedras procedentes de diversas partes do Egito, da Espanha e da Itália. Estas pedras tinham sido parte de monumentos, templos e pirâmides, hoje em dia em ruínas. A pedra angular do prédio tinha sido transportada de Tell-el-Amarna, onde o grande mestre da Ordem viveu em certa época. A parte superior do prédio era utilizada nesta época como mosteiro rosacruz. Na adega havia uma gruta rosacruz. Esta "gruta" era ampla e seus muros eram construídos com pedras cinzentas, velhas, por entre as quais crescia o musgo e a umidade exsudava. Estava escorada por uma grande chaminé e sua única iluminação provinha de velas e tochas. Nesta gruta havia um altar, construído com madeira egípcia rara, magnificamente esculpido. Spencer continua:
"No dia de minha saída de Toulouse, me foram entregues vários documentos da mais alta importância. Os mesmos me investiam com a insígne responsabilidade de perpetuar as atividades da ordem na América. Eis aqui as últimas instruções que me foram entregues pelo mui venerável grande mestre da França, M.L ... :
"Frater, por estes documentos V.S. é nomeado legado da nossa ordem em seu país. Seus deveres e privilégios estão perfeitamente definidos neles. Os documentos que possue e as jóias que hoje lhe entrego, lhe permitirão trabalhar, quando chegado o momento e da maneira indicada. Quando tiver alcançado alguns progressos, encontrará um representante da Ordem no Egito. Ele lhe transmitirá outros documentos e outros selos. De tempos em tempos, algumas pessoas irão até V.S. que as reconhecerá pelos sinais habituais. Elas completarão os documentos que V.S. tem em seu poder para, dessa forma, entrar na posse de tudo o quando necessita para levar a término o seu trabalho. Nosso secretário lhe enviará pessoalmente, com lacre, sob a proteção do govêrno francês (esta afirmativa é muito difícil de se manter e muito menos, acreditar nela, pois é absurdo pensar que o govêrno da França tenha patrocinado tais atividades, ou que tenha fornecido ou remetido documentos Rosacruzes e muito menos para o estrangeiro, onde poderia ocasionar um conflito diplomático pela fundação e manutenção de uma "associação secreta" em país estrangeiro) outros documentos, tão logo nós sejamos informados pelos nossos observadores que V.S. já obteve suficientes progressos. Seus informes semestrais nos mostrarão se V.S. está em condições de fornecer uma ajuda eficáz à nossa Ordem. Os donos do mundo se sentirão felizes em poder atender as suas necessidades, se isso for necessário e se a obra de nossa Ordem for fielmente executada, a paz profunda será compartilhada por um número cada vez maior de homens de boa vontade em seu país e no mundo".

Fundação da AMORC
Conforme relata Harvey Pencer Lewis em seus diversos escritos, uma vez "iniciado" em Toulouse, regressa a Nova York, onde começa um processo intenso de tradução e um esforço contínuo para decifrar os documentos que lhe foram confiados na França. Mas ele não estava sozinho, lemos em "Perguntas e Respostas Rosacruzes, com a Historia completa da Ordem Rosacruz":
"Antes de sair da França tive a satisfação de me relacionar com vários oficiais superiores; e quando regressei aos Estados Unidos, o delegado da India me entregou os documentos e jóias que haviam se conservado na antiga fundação rosacruz na Filadelfia.. De 1909 a 1915 o Conselho reuniu-se em minha casa ou na de outros membros, com a presença de pessoas descendentes dos antigos rosacruzes e de alguns iniciados na França entre 1900 e 1909.
"Em 1915 publicamos o primeiro manifesto oficial anunciando o começo de um novo ciclo da Ordem e imediatamente procedeu-se a eleição do primeiro Conselho Supremo da Ordem entre centenas de homens e mulheres cuidadosamente selecionados durante os sete anos precedente. Na primeira sessão oficial deste Conselho Supremo da Ordem nos Estados Unidos procedeu-se a nomeação aos cargos e grande foi minha surprêsa ao saber que o delegado da India havia recebido instruções para designar-me presidente do Conselho, em atenção aos meus trabalhos, durante os sete anos precedentes, ao estabelecimento da verdadeira Rosacruz nos Estados Unidos. Os demais cargos recairam em pessoas qualificadas e foram nomeadas comissões, com a finalidade de traduzir e adaptar às norte-americanas a constituição e demais documentos oficiais da Ordem na França ".
Em edição posterior do mesmo livro, a de 1973 se diz ainda:
"Durante anos tinha reunido um grande número de homens e mulheres que se interessavam na busca do esoterismo e da metafísica, de acordo com as diretrizes rosacruzes. Como editor de muitas revistas de caráter esotérico, tinha tomado conhecimento de diversos manuscritos rosacruzes e tinha descoberto que eu tinha ligações com os descendentes dos primeiros rosacruzes da América, que haviam se estabelecido na Filadelfia em 1694. Isso me deu acesso a muitos dos seus antigos documentos, manuscritos secretos e ensinamentos. Nós discutíamos e analisávamos estes documentos, para colocar seus conteúdos em prática. Entre nós, a sociedade composta por centenas de pessoas que tinham uma carreira profissional, era conhecida pelo nome de "Sociedade de Investigações Rosacruzes" .
As reuniões da sociedade aconteceram entre 1904 e 1909, em Nova York. Entendendo que não estávamos constituidos ou autorizados para usar o nome de Rosacruzes, a sociedade atuou publicamente sob o nome de Instituto de Pesquisas Psíquicas de Nova York. Entre 1909 e 1915, diversas reuniões oficiais do conselho realizaram-se na minha casa, com a presença de homens e mulheres descendentes dos primeiros iniciados da Ordem, alguns dos quais tinham sido iniciados na Ordem, na França, entre 1900 e 1909 ..."
Mas as primeiras tentativas de fundar uma Ordem Rosacruz na América não foram frutíferas, amargurado, diz em um dos seus escritos:
" Aqueles que eu pensava estivessem interessados não mostraram interêsse nenhum, senão antipatia. Lembro-me bem desta noite chuvosa, enquanto eu voltava, indo em direção à casa de uma senhora que vivia em Madison Avenue, perto da rua 34, com meus documentos sob o braço, a Carta e o "Livro negro" , abatido e perplexo. Dos 12 que estiveram reunidos, dentre 20 convidados, nem um só assinou os documentos preliminares da organização ... " .
Então, depois de ter refletido bem, Lewis se dá conta de que tinha se equivocado, apesar do auxílio de tantos iniciados e descendentes e que não era em 1914, senão em 1915 que tinha que reapresentar os documentos para assinatura ... devidamente auxiliado por um personagem misterioso, a delegada da India, mas esta é outra história, que iremos relatar a seguir.
Em diversas páginas foram feitas referências a um Delegado da Ordem Rosacruz na Índia, conforme os escritos de Lewis e que, em escritos posteriores, viria a ser uma mulher, muito misteriosa, cujo "retrato" aparece em uma das obras fundamentais do "doutor" Harvey Spencer Lewis (nota 1) intitulada "Manual Rosacruz", sob cujo retrato consta uma observação: " ... Sra. May Banks-Stacey, Co-fundadora e primeira Grande Matre dos Estados Unidos (veja-se referência histórica na página 153) ... "
Na página 153 do "Manual Rosacruz" e que corresponde a uma resenha biográfica de Harvey Spencer Lewis, se diz: " ... um membro do ramo inglês que patrocinou o primeiro movimento na América, a esposa do coronel May Bank-Stacey, descendente de Oliver Cromwel e dos D'Arcy, da França, colocou em suas mãos esses documentos, da mesma maneira e de forma oficial, como lhe haviam sido transmitidos pelo último dos primeiros Rosacruzes americanos, junto com a jóia e a chave de autoridade que ela recebeu do Grande Mestre da Ordem na Índia, quando era oficial da Ordem nesse país "....
Foi somente em 8 de fevereiro de 1915, que na presença de nove pessoas acontece uma reunião prévia para a fundação da AMORC e apenas no dia 1 de abril de 1915, às 20:30 horas, na presença de umas trinta pessoas assina-se um pronunciamento que diz:
"Em reunião devidamente constituída nós, abaixo-assinados, senhoras e cavalheiros da cidade de Nova York nos constituímos formalmente em membros do Conselho Supremo da Antiga e Mística Ordem da Rosa Cruz em concordância com os Ritos Antigos e Cerimônias e aprovação do mui Grande e Poderoso Grande Mestre Geral da América. Em consequência, levado ao conhecimento de todos a proclamação e estabelecimento da "Ordem Rosacruz na América" e reconhecemos os Oficiais da Grande Loja, cujos membros aqui constam, como devidamente eleitos em conformidade com o Primeiro Manifesto Americano.”
Nascia assim, a Ordem Rosa Cruz como hoje a conhecemos. É curioso observar como foi, de um ponto de vista histórico, providencial a vida de Spencer Lewis para a preservação da tradição Rosa Cruz. Nos anos imediatamente posteriores a Europa inteira foi dizimada por Guerras Mundiais. Se os manuscritos e a tradição não estivesse a salvo da destruição na América, muito do conhecimento das antigas escolas de Mistério teriam se perdido para sempre.. A tradição Egípcia, a escola iniciática Pitagórica, os mistérios neo-platônicos, a herança templária, o conhecimento dos alquimistas, enfim, toda tradição esotérica foi salva e foi perpetuada graças a vida e empenho de Harvey Spencer Lewis.